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Friday, May 30, 2008

O JOELHO

Esse papo de lanchonete me lembrou de uma coisa curiosa. Não sei se o mesmo acontece com vocês, mas eu tenho um certo problema com nomes de comidas. Fiz essa constatação quando vim morar no Rio. Antes, tinha preconceito com mondongo, por exemplo, mas não sabia mensurar quanto dessa aversão se devia ao nome, essas três sílabas pegajosas, que a gente não consegue engolir, e quanto se devia à comida em si - que, convenhamos, não é nem um pouco atraente.

Quando cheguei aqui, no entanto, percebi o quão poderoso pode ser um nome. É que, nas lanchonetes cariocas, é quase onipresente uma trouxinha recheada com presunto e queijo. Apetitoso, não? Poderia ser. Mas o tal salgado se chama "joelho". Me diz quem, em sã consciência, consegue comer algo com esse nome?

Eu com certeza não. Moro há quatro anos no Rio e nunca - nunca! - coloquei um (argh) joelho na minha boca.

NONSENSE NA LANCHONETE

Cliente (olhando o cardápio) - Como é que é esse pastel gaúcho?
Garçom - Não tem mais.
Cliente - Tá, mas como é?
Garçom - É pastel chinês, de carne.
Cliente - Ah, tá.

A capacidade de compreensão de algumas pessoas me impressiona.

Thursday, May 29, 2008

CHACOTA, NÃO!

Quem aqui viu a capa do Globo de hoje? Bem abaixo da manchete "Voto dúbio no STF põe em risco uso de célula-tronco", uma foto mostra um engravatado, 30 e poucos anos e dedo em riste, falando com três cadeirantes em Brasília. A legenda explica: "Na frente do STF, advogado da Frente Parlamentar Evangélica discute com deficientes físicos, dizendo que eles deveriam 'se curar pela fé'".

Pelamordedeus, como é que o sujeito tem a empáfia de dizer isso? Tenha pelo menos o mínimo de decência. Assuma que acha a dor dos outros um preço justo a se pagar para manter os embriõezinhos congelados. Chacota, não!

A indignação, que me acompanhou boa parte do dia, só foi amenizada agora há pouco, quando soube da decisão do STF a favor das pesquisas. É isso aí! Podem começar a abrir as geladeiras!

Saturday, May 03, 2008

CIRCO ARMADO

Acabo de escutar na TV que cerca de 500 (isso mesmo, quinhentas) pessoas estão reunidas em frente ao prédio onde Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá passaram o dia, antes de se entregarem à polícia. Essa histeria coletiva realmente já passou dos limites. Tenta reunir 500 pessoas para uma manifestação por algo REALMENTE importante pra ver se dá certo...

Monday, March 17, 2008

AS MULHERES DA BALACLAVA NA CABEÇA

Personagens estranhos não faltam no Rio de Janeiro. Tem o louco do walkman em Copacabana, um mulato que percorre insistentemente as ruas do bairro, sempre balançando o corpo ao som de uma música que provavelmente só toca na cabeça dele (tenho quase certeza que o aparelho que ele carrega a tiracolo não tem pilhas, e que os fones de ouvido cumprem papel meramente ilustrativo). Tem também o mendigo gordo da Cinelândia, sempre com uma bermuda preta pela metade da bunda, o torso nu e a cara de poucos amigos. Tem ainda o mala que vende abacaxi na praia e cuja duvidosa tática de vendas consiste em um sonoro "AAAAAAABACAXI" nos ouvidos dos banhistas distraídos. São tantas as figuras bizarras com que cruzamos no dia-a-dia que com o tempo deixamos de prestar atenção nelas. O estranho mistura-se à paisagem urbana e passa despercebido na correria da cidade grande.

Há alguns dias, no entanto, descobri aquelas que julgo ser as personagens mais intrigantes da cidade. O que fez nossos caminhos se cruzarem foi um novo trabalho que surgiu, e desde então não consigo evitar o olhar curioso toda vez que passo pelo local onde elas resolveram se instalar, em frente ao escritório da Anac no centro da cidade. São duas mulheres velhas, com uma roupa azul marinho puída e uma balaclava bege na cabeça. No fim do dia, as duas estão sempre por ali, sentadas sobre caixas de madeira, murmurando palavras que não consigo compreender. Parece haver um carinho imenso entre elas, e não é raro ver uma recostar-se no colo da outra para um cochilo ou afagos na cabeça. Nada faz muito sentido, a cabeça coberta em pleno verão carioca, o isolamento num mundo que é só delas, os murmúrios inaudíveis... Mas, de alguma forma, elas me cativaram. Morro de vontade de abrir um espaço no banco de caixas e desvendar a história daquelas senhoras. Será que algum dia vou conseguir?

Sunday, February 10, 2008

DUAS VERSÕES

Eu, versão foliã

Eu, versão executiva júnior

Wednesday, December 05, 2007

AH, OS EUFEMISMOS...

Acabei de receber uma ligação impagável do banco no qual sou correntista. Tentaram me empurrar um seguro de vida. Mas o melhor foi o discurso do vendedor: "Pagando apenas 20 reais por mês, os seus dependentes recebem 90 mil reais no caso de a senhora vir a faltar". Faltar o quê? O trabalho? Tô dentro!

Thursday, August 16, 2007

CONSTATAÇÃO

Se eu não fosse tão ética, esse blog seria muito mais interessante. Eu revelaria tudo: das melhores pérolas jornalísticas às cantadas mais bem boladas - essas coisas que a gente testemunha quase que diariamente no trabalho. Mas meus colegas não precisam se preocupar. Para mim, o profissionalismo vem sempre em primeiro lugar.

Wednesday, May 30, 2007

SEM PROPÓSITO

O termômetro de rua em frente à estação Siqueira Campos marca 19 graus. Dentro de casa, a sensação térmica é certamente menor, e passo boa parte do tempo com meu pijama de inverno. Parece que o calor foi mesmo embora, e eu nem realizei os sonhos tropicais que excitavam minha mente na Europa. Desde que cheguei, só fui três vezes à praia. Banho de mar não tomei nenhum. Contrariei minhas próprias expectativas.

Profissionalmente, no entanto, as coisas estão se saindo melhor do que eu pensava. Um bom emprego e um contrato de frila duradouro bateram à minha porta pouco depois do retorno. Nem foi preciso muito esforço para obtê-los, o que torna a situação totalmente oposta àquela que vivi quando vim de Porto Alegre para o Rio, já no ocaso de 2003.

Além disso, a abertura de um curso de economia para jornalistas na UFRJ coincidiu com minha chegada e agora passo as manhãs de sábado estudando conceitos de macroeconomia, revendo temas importantes da história recente e discutindo perspectivas econômicas de curto e longo prazo.

Enfim, este é um post meio sem propósito em um blog totalmente sem propósito. Mas eu gosto disso, fazer o quê?

Thursday, April 05, 2007