Monday, March 17, 2008

AS MULHERES DA BALACLAVA NA CABEÇA

Personagens estranhos não faltam no Rio de Janeiro. Tem o louco do walkman em Copacabana, um mulato que percorre insistentemente as ruas do bairro, sempre balançando o corpo ao som de uma música que provavelmente só toca na cabeça dele (tenho quase certeza que o aparelho que ele carrega a tiracolo não tem pilhas, e que os fones de ouvido cumprem papel meramente ilustrativo). Tem também o mendigo gordo da Cinelândia, sempre com uma bermuda preta pela metade da bunda, o torso nu e a cara de poucos amigos. Tem ainda o mala que vende abacaxi na praia e cuja duvidosa tática de vendas consiste em um sonoro "AAAAAAABACAXI" nos ouvidos dos banhistas distraídos. São tantas as figuras bizarras com que cruzamos no dia-a-dia que com o tempo deixamos de prestar atenção nelas. O estranho mistura-se à paisagem urbana e passa despercebido na correria da cidade grande.

Há alguns dias, no entanto, descobri aquelas que julgo ser as personagens mais intrigantes da cidade. O que fez nossos caminhos se cruzarem foi um novo trabalho que surgiu, e desde então não consigo evitar o olhar curioso toda vez que passo pelo local onde elas resolveram se instalar, em frente ao escritório da Anac no centro da cidade. São duas mulheres velhas, com uma roupa azul marinho puída e uma balaclava bege na cabeça. No fim do dia, as duas estão sempre por ali, sentadas sobre caixas de madeira, murmurando palavras que não consigo compreender. Parece haver um carinho imenso entre elas, e não é raro ver uma recostar-se no colo da outra para um cochilo ou afagos na cabeça. Nada faz muito sentido, a cabeça coberta em pleno verão carioca, o isolamento num mundo que é só delas, os murmúrios inaudíveis... Mas, de alguma forma, elas me cativaram. Morro de vontade de abrir um espaço no banco de caixas e desvendar a história daquelas senhoras. Será que algum dia vou conseguir?

6 comments:

Anonymous said...

Bom, vai lá, senta com elas e puxa um papo... simples assim.

Anonymous said...

Cuidado , além do problema de contágio de piolhos e outros coisas mais, elas podem se tornar agressivas com estranhos , mesmo que estes tenham as melhores intenções. Podem te confundir com alguém da Secretaria de assistência Social, ou de outro órgão público.
Beijos
Sonia

Anonymous said...

Tá, mãe, a maior vislumbradora de potenciais riscos do mundo. Deverias prestar consultoria para companhias de seguro. Hahahaha...

Anonymous said...

Fi, os filhos irão te provar que os pais sempre estão olhando à frente dos seus rebentos, tentando protegê-los, mesmo quando estes já tiverem 27 ou 30 anos.
Beijos
Sonia

betasimon said...

NEcaaaaaaaaaa!!!
que bom que voltaste ao blog!!!
adorei a foto do carnaval.

bom, sou suspeita a falar, pq puxo papo mesmo. e como ando muito, muito a pé, nao tem como nao cruzar com esses seres bizarros e intrigantes! adoro! até aki em bsb tem... de varias especies, claro.

depois nos conta!!!!

beijao!!!
venham nos visitar!! tem lugar aki em casa!!

clarissa said...

neca, nem sabia que tu tinha blog, achei por acaso no blog da lella, amei.
mas que susto, eu tinha apagado da vida o que diabos era balaclava, joguei no google images e DÃAAAASH, imagens de pessoas numa vibe terrorista. não fala com essa gente.
beijo