No ano passado, em algum dia de setembro, assisti ao espancamento de um rato que atreveu-se a buscar refúgio do toró que caía lá fora em pleno McDonald's da Praça Mauá - e cujo corpo foi atirado de volta à calçada com as tripas para fora. Aquilo me impressionou bastante, tanto que sonhei com a cena de noite.
Pois agora apareceram ratos (sim, no plural) lá em casa - e fomos obrigados a buscar uma solução para esse problema. A Maria, nossa faxineira, sugeriu que cimentássemos o buraco onde acreditamos que eles vivem, mas eu logo me opus - achei muito cruel.
Saímos então à procura de chumbinho, o poderoso veneno que daria uma morte imediata e mais digna aos roedores. Mas logo percebemos que os comerciantes de Copacabana parecem obedecer à proibição à substância, que é vendida em abundância nos camelôs do centro da cidade.
Nos ofereceram então uma espécie de armadilha em que o rato fica grudado, sem conseguir se mover. Eu perguntei: "Tá, mas o que a gente faz com ele? Pega e toca fora?". Ao que o vendedor respondeu: "Não precisa, é só esperar um tempo que ele morre". Obviamente descartamos essa opção também: não ia ser nada agradável ficar assistindo às últimas horas de vida de um rato agonizante.
Já ficando preocupados, fomos à outra loja. Dessa vez, nos animamos: o cara tinha veneno! Mas, ao questionar um pouco mais, descobrimos que a morte não era imediata: após a ingestão do mesmo, o bicho teria uma HEMORRAGIA que o levaria a seu trágico fim. Sim, é isso mesmo!
Aceitamos o fato de que não existe uma morte serena para os ratos e compramos quatro pacotes. Espalhamos estrategicamente pela casa, cuidando para não deixar nenhuma peça sem veneno. Eis que o Lê solta essa: "Agora vamos torcer para que a hemorragia seja interna!" Hahaha!